A importância do autor na compra de um livro técnico

Quem ao longo da sua vida ainda não ouviu alguém mais velho aconselhando a não comprar um livro pela capa. Obviamente que este sábio conselho permite uma gama enorme de interpretações, mas quero aqui ficar com a parte literal da dica, ou seja, vou falar sobre um livro.

O caderno Vida & Arte do jornal O Povo de hoje traz matéria intitulada A Santa Bebida onde é apresentado e elogiado o livro 1.000 Grandes Vinhos Que Não Custam Uma Fortuna das Melhores Vinícolas do Mundo, organizado por Jim Gordon. A matéria enaltece o livro, oferece várias informações importantes sobre as vinícolas e a produção de vinho ao redor do mundo, colhe opinião de um empresário local que além de apreciador trabalha com a bebida. Ou seja, uma boa matéria, não fosse por um detalhe, quem é Jim Gordon.

O leitor não é obrigado a conhecer o autor do livro e como se trata de um tema que exige ótimas credenciais para emitir opinião sobre o assunto, caso eu resolvesse comprar o livro estaria fazendo-o apenas pela capa ou baseado na opinião do autor da matéria. Como fiquei interessado no livro gastei alguns minutos pesquisando quem é Jim Gordon.

A fonte da moderna do conhecimento humano, o Google, levou-me a vários Jim Gordon, do comissário de Gotham City ao renomado baterista, até finalmente localizar o verdadeiro. Jim Gordon além de coordenar a equipe de escritores participantes do citado livro, também escreveu as seções sobre variedades de uvas e degustação de vinhos, as colunas sobre tipos de vinhos e as entradas de Mendocino e Lake da seção Califórnia. Ele tem uma carreira de 25 anos no mundo dos vinhos. Gordon foi diretor editorial da revista WineSpectator por doze anos e ajudou a montar o programa Wine Country Living para a NBC. Atualmente é editor da revista Wines & Vines, baseada na Califórnia.

Após saber quem é o autor ficou mais fácil decidir pela compra do livro.

CRA

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O papel das redes sociais no caso do asfaltamento em motel

Uma notícia que está repercutindo hoje nos jornais impressos e nos portais noticiosos do Ceará chamou minha atenção por ser um exemplo do momento de mudanças que estamos vivendo. Trata-se do caso do asfaltamento de área interna de um motel em Sobral.

No dia 04/11/2011 um usuário do Youtube chamado jocelio11 postou um vídeo onde denuncia funcionários da prefeitura de Sobral asfaltando a área interna de um motel. Não consegui localizar o usuário em outras redes, mas o canal foi criado em 2006 e postou 3 vídeos. No dia 13/11/2011 o usuário do Twitter @Dinney postou comentário citando o prefeito Clodeveu Arruda. No mesmo dia 13/11/2011 o Prefeito postou resposta. Hoje, 15/11/2011, percebi que este episódio foi publicado na coluna Radar e no portal do Jornal O Povo e no portal G1Ceará.

Fica evidente a força das redes sociais como veículo de comunicação acessível à população. Não fosse o Twitter, dificilmente o cidadão Dinney teria recebido resposta tão rápida sobre a sua opinião externada. Anteriormente denúncias dessa natureza dependiam da pauta das emissoras de rádio e TV que nem sempre conseguiam oferecer o mesmo tom que o denunciante desejava. Vejo também que as redes sociais permitem ao gestor público uma rapidamente reação, explicando-se ou defendendo posicionamento contrário.

É possível perceber também a diferença de velocidade e de penetração dos veículos. Somente nove dias depois de postado é que o vídeo virou notícia por ter chegado na timeline do Prefeito. A resposta do Prefeito é que acabou repercutindo nos outros meios de comunicação.

O poder transformador das redes sociais já foi amplamente debatido, qualquer coisa que se diga agora vai parecer um déjà vu, contudo, ainda me impressiono quando vejo que um vídeo de 1 minuto e 38 segundos, um post de 140 caracteres e uma resposta com outros 55 caracteres conseguir mudar a interação entre o cidadão e o gestor público.

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A carência de análise crítica dos números

No último dia 4 de outubro o Centro de Estudos sobre Tecnologias da Informação e da Comunicação (CETIC.br) divulgou a Pesquisa TIC Crianças 2010  que mede o uso das tecnologias de comunicação e informação em domicílios entre crianças de 5 a 9 anos. Esta pesquisa foi comentada hoje pelo caderno/blog Tendências do Jornal O Povo e durante a semana por vários outros veículos (G1, Tecnologia Terra)

A pesquisa foi bem realizada e a população amostral utilizada distribuída adequadamente. Os resultados são de suma importância para entendermos como nossas crianças estão utilizando o computador, a Internet e as redes sociais. No entanto, o que chama minha atenção é a leitura que é feita desses resultados e, por isso, resolvi olhá-la por outro ângulo que não seja a mera reprodução dos números.

O destaque maior foi dado ao fato de 21% dos pais terem declarado não realizar nenhum tipo de restrição ou controle no uso da Internet. É claro que o ideal seria um número bem menor, mas não seria importante ressaltar que 79% dos pais controlam o acesso, utilizando mais de um mecanismo já que o questionário permitia mais de uma resposta? Confesso que fiquei surpreso ao ver que 34% deles controlam o tempo de uso, 41% conversam com as crianças sobre o uso e 15% bloqueiam sites. Neste percentual de 21% que não controlam o uso 35% não são usuários de Internet, ou seja, são analfabetos digitais. A pesquisa não menciona o grau de instrução dos pais.

Minha avaliação pode estar equivocada mas considero o controle exercido muito bom, para um país que tem apenas 27% de lares com acesso à Internet, segundo outra pesquisa do próprio CETIC.br intitulada Pesquisa TIC Domícilios 2010. Este número expõe uma baixíssima inserção digital resultando numa grande ignorância sobre o assunto.

A pesquisa com as crianças apresenta algumas perguntas que considero até engraçadas. Os números mostraram que 1/3 das crianças estão nas redes sociais (29% usou Orkut, Facebook etc.) e que 12% já conheceu alguém pela Internet. É possível estar numa rede social e não "conhecer alguém pela Internet"? É colocado como algo que chama atenção o fato de 11% já ter enviado foto pela Internet, convenhamos que se ela não quiser ficar o cadastro incompleto acabou colocando um foto no perfil.

Entendo que sentir medo é demonstrar noção do risco e do perigo eminente, por isso, considerando que 25% das crianças declararam que já sentiram medo ou perigo na Internet, então, existe uma percepção do risco. Eu poderia ser tendencioso e lembrar que este percentual de percepção do risco é maior que os 21% de acesso não controlado, que por sinal é o mesmo percentual de crianças com computador no próprio quarto.

O risco existe e não deve ser minimizado, a preocupação é legítima, o cuidado deve ser constante, mas essa mera divulgação de resultados de pesquisas sempre me deixa com a sensação de notícia incompleta.

CRA

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Sobre as dicas de um enónada e gastrôidem

Pode ler tranquilamente, garanto que não é mimimi, apenas um esclarecimento sobre o meu perfil no Foursquare e as tips (agora traduzidas para dicas) ali deixadas.  Faz parte dos princípios básicos desta rede social a publicação de comentários, experiências e dicas sobre os locais onde são realizados os check-ins (ainda bem que não tentaram traduzir). Por isso mesmo esta rede se autodenomina "a social city guide".

Ela é um guia exatamente pelos comentários que acabam orientando outros usuários. Quem já passou pela experiência de numa viagem procurar um lugar nas redondezas da sua localização, seguir as dicas existentes, descobrir um ótimo local e passar momentos agradáveis, sabe o quanto ela pode ser útil. Como também ela pode ser útil para descartar alguns locais. Obviamente que em ambos os casos não é aconselhável fazer a opção por uma única dica.

Não sou gastrônomo, não sei cozinhar - aproveitável sai apenas um cafezinho -, ou seja, mal consigo sobreviver (abençoado seja o delivery). Apesar de apreciar vinhos sou um enónada. Portanto, não sigo nenhuma cartilha e nem tenho compromisso com padrões estabelecidos. Treino o uso de duas técnicas: bom senso e paladar.

No caso das tentativas de harmonização de pratos e vinhos simplesmente leio atentamente os ingredientes do prato (ainda bem que os bons restaurantes de Fortaleza trazem esta descrição) e busco evitar combinações exóticas com os vinhos existentes. Portanto, não tenho o menor pudor em realizar verdadeiras heresias na opinião de alguns gourmets e sommeliers.  

Portanto, caros amigos, minhas tips (dicas) são apenas anotações, não têm nenhuma pretensão e quem colocá-las em sua to-do list o faz sabendo que corre certo "risco". Por isso, no caso de restaurantes, vou continuar registrando opinião sobre o prato, a bebida, a combinação e o atendimento.

CRA

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A oficialização de uma inversão de valores

Acompanhei os acontecimentos e não entrei no mérito dos ataques a sites promovidos por grupos organizados que a imprensa e até alguns especialistas chamaram de invasões. No entanto, no momento que um Ministro de Estado convida esses grupos para ajudá-lo, sinto-me impelido a comentar.

Sobre alguns temas reconheço que tenho uma posição que pode ser classificada como radical, pois defendo, há tempos, que se existe diferença entre os chamados hackers e crackers é apenas por uma questão de oportunidade. Ou seja, o indivíduo invade o site de uma empresa pública ou privada, encontra informações valiosas, faz copias, negocia ou publica tais informações, então ele é cracker. Se esta citada invasão acontece mas o indivíduo não encontra nada de valioso, então, ele deixa um aviso que esteve ali, ou desfigura a página ou ainda, simplesmente, tira o site do ar, então ele um hacker. Assim sendo, não vejo diferença entre eles, ambos causam prejuízo aos sites invadidos.

Mais inaceitável ainda é o Ilmo. Sr. Ministro Aloízio Mercadante menosprezar e desprestigiar todos os técnicos em informática e especialistas em segurança da informação ao dizer que vai pedir ajuda aos invasores para ajudá-lo a proteger os sites do governo. Uma posição bem pensada posto que a repetiu várias vezes durante a semana e reafirmou ontem em Porto Alegre, durante o 12º Fórum Internacional Software Livre – fisl12. Pasmem que um dos hackers convidado para o evento e que debateu com o Ministro, em entrevista, afirmou que sua contribuição é "mudar o que encontra de errado pelo caminho", ou seja, o verdadeiro dono da verdade e o suprassumo da excelência técnica.

É claro que posso estar errado, mas não consigo aceitar a contratação de alguém que tem um comportamento discutível para proteger um patrimônio somente porque ele conhece e praticou o modus operandi. Imagine a seguinte cena: você chega em casa e encontra alguém que a invadiu e espera-o na sala, então, você agradece por ele ter mostrado que a fechadura da sua porta não é a melhor do mundo e contrata-o para adquirir uma fechadura melhor, deixando-o com uma cópia da nova chave.

Duvido, sinceramente, que os membros desses grupos tenham mais conhecimento que os técnicos em atividade oficial. Mesmo assim, antes de convidar esses grupos para ajudá-lo o Ministro deveria verificar se os técnicos responsáveis pelos centros de informática e pela segurança destes têm todas as condições de trabalho. Deveria realizar um levantamento e garantir que nenhum gestor rejeitou projeto de segurança por ser caro ou por entenderem que não precisa de tanta segurança assim. Deveria, ainda, atestar que todos os técnicos têm o treinamento adequado. Esses técnicos têm grande jornada de trabalho e sobra pouco tempo para, de forma autodidata, aperfeiçoar-se, ao passo que boa parte dos proclamados hackers/crackers dedicam-se a este metiê.

Esta situação é uma demonstração explícita e oficial de desprestígio e falta de reconhecimento para com os técnicos que se dedicam a manter e proteger os sites das empresas e uma total inversão de valores. Até porque, já resta provado que combater os ataques realizados não é tarefa fácil, a menos que os convidados do Ministro deixem de praticá-los.

CRA

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Saudade do Programa Intervalo e da mostra dos bons comerciais

Sempre gostei de cinema e televisão, apesar de ter algumas preferências, vejo de tudo: filmes, seriados e até novelas. Procuro não ser saudosista, mas ao longo do tempo algumas obras deixam saudade. Seriados como Jornada nas Estrelas (minha preferida) e variantes como Deep Space Nine e Voyager, Lost, a primeira temporada de Heroes, e outros, fazem falta. Além dos desenhos animados como Freakazoide, O Laboratório de Dexter, As Aventuras de Jimmy Neutron e as incríveis aulas de criatividade que Os Flintstones e Os Jetsons nos ofereciam em cada episódio. Sei que existe uma certa dificuldade em assumirmos que gostamos de novelas mas eu assumo, principalmente das primeiras e últimas semanas quando a trama é apresentada e encerrada e as técnicas de gravação são mais exploradas e destaco Pantanal, Guerra dos Sexos e O Clone, pela técnica e linguagem utilizada e 2001.

Os programas tradicionais sempre foram mais difíceis de marcar e por isso sinto falta de poucos. Um dos que mais gostava era Intervalo, exibido pela antiga TVE, hoje TV Cultura. Este programa selecionava comerciais e exibia-os com comentários sobre sua produção. Por vezes diretores e produtores eram entrevistados e o making off exibido. Comerciais do mundo inteiro premiados em festivais, como Cannes, também eram exibidos.

Atualmente existe um programa com o mesmo nome que é produzido e exibido pela TV Anhanguera mas que fala de publicidade em geral. Não sei se existe outro programa semelhante por isso tenho acompanhado o tema em blogs e considero Brainstorm9 um dos melhores. Como acredito que não sou o único a gostar de bons comerciais e curiosidades sobre sua produção, vou divulgar neste espaço os meus preferidos quando me defrontar com eles. Para iniciar seguem os mais recentes:

Sony Bravia Balls
MINI Coupé passa o domingo de carnaval no Rio de Janeiro
C&A Chama Elvis para o Dia dos Namorados

CRA

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Kindle: simples, eficiente e arrogante

Creio que todos que utilizam determinado equipamento recebem perguntas sobre sua qualidade e sobre comparativos com outros equipamentos. Sou usuário do Kindle há mais de 18 meses e frequentemente me fazem essas perguntas e a mais recente foi: por que utilizar o Kindle e não qualquer tablet?

Primeiro vamos esclarecer que o Kindle é um "reading device", ou seja, sua única função é permitir leitura de publicações digitais (livros; revistas; jornais; arquivos DOC e PDF, depois de serem convertidos). Portanto, nem pensar em navegar na Internet utilizando a interface disponível que lembra um browser pré-histórico desenvolvido como trabalho de classe de uma faculdade qualquer. No entanto, como e-reader é imbatível. Utilizando uma técnica chamada "E Ink Pearl" a tela não brilha e oferece conforto para longas leituras. É simples e muito eficiente naquilo que se propõe.

O chip que vem integrado ao equipamento 3G seleciona automaticamente uma operadora disponível e torna o processo de compra e recepção das publicações em algo muito simples e extremamente rápido. Atualmente existem em torno de 750.000 eBooks disponíveis na Amazon (mais de 1.500 em português), umas 60 revistas (nenhuma brasileira), cerca de 150 jornais (8 brasileiros). Entre os jornais brasileiros cabe destacar o Diário do Nordeste que desde maio último está disponível.

Contudo, como todo usuário, percebo oportunidades de melhoria e a principal seria eliminar a arrogância dos responsáveis pelo produto na Amazon. As críticas e sugestões são recebidas com um e-mail padrão e solenemente esquecidas posto que atualizações do sistema operacional do produto é algo raro. Existem questões menores que não comprometem, afinal seriam melhorias e não correção de defeitos, porém, o que mais me incomoda é não poder acentuar as palavras nas notas e textos escritos quando do compartilhamento (twitter e facebook) de trechos do material lido.

Resumindo: estou muito satisfeito com o Kindle, é gratificante carregar facilmente uma pilha de livros e artigos, diariamente receber os jornais e revistas onde quer que eu esteja. Obviamente também estou utilizando um tablet.

#CRA

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O carnaval brasileiro merece um badge do Foursquare

Será falta de visão ou de conhecimento? Causa-me estranheza o fato do Brasil ter o propalado "maior espetáculo da Terra" (desculpem, esta é velha e surrada) e não aproveitar todas as opções de promoção. Este ano deparei-me com uma situação oposta. Alguém já ouviu falar do "carnaval" de New Orleans chamado Mardi Gras?

O termo significa algo como "terça-feira gorda" em francês. Trata-se de um festival que dura quase 15 dias (29/fev a 8/mar) com paradas, desfiles, muitas fantasias, máscaras de gesso, bailes, etc. Confesso minha ignorância, talvez por não gostar muito de carnaval, só tomei conhecimento deste evento este ano, quando o Foursquare lançou um badge especial para o evento.

Pode ser bairrismo mas não aceito o fato do "carnaval" da Louisiana tem uma promoção no Foursquare e o carnaval do Brasil não. Creio que o brasileiro merecia no mínimo 4 badges (São Paulo, Rio, Salvador e Olinda). Afinal de contas o Bigsense estima os brasileiros já somos 500 mil usuários. Caso os organizadores no Brasil não saibam como fazer ousadamente ofereço duas dicas: como criar uma página no Foursquare e como criar um partner badge.

Quem sabe em 2012 os foliões não tenham um atrativo a mais no carnaval.

#CRA

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Informática e a grave escassez de mão de obra qualificada

Este ano de 2011 deve confirmar a tendência das empresas preferirem a contratação de serviços de informática, em substituição ao modelo de alocação de mão de obra. Um dos motivos mais fortes para esta preferência é a possibilidade do estabelecimento de acordo de nível de serviço-ANS (service level agreement - SLA, no original) mais eficaz, fornecendo à empresa um melhor controle sobre o recebimento do serviço/produto contratado.

Com a forte demanda por este tipo de serviço aflorou uma deficiência do mercado de informática, que já era conhecida mas estava sendo tratada ainda como algo latente: a escassez de mão de obra qualificada em quase todos os setores da área de informática. O Observatório Softex, unidade de estudos e pesquisas da Sociedade SOFTEX, projeta falta de 140 mil profissionais de informática até 2013. Uma pesquisa da FGV é sempre citada dando conta que, até 2014, haverá um déficit de 800 mil profissionais para suprir a demanda do setor.

Uma situação inquietante é sempre vermos os bons profissionais sendo cooptados e mudando de emprego com frequência, sem que haja renovação de talentos. Uma questão surge de imediato, que tipo de profissionais estão sendo formados nas faculdades que proliferam nas cidades? Continuar buscando profissionais experientes não resolverá o problema e dentro de pouco tempo ocorrerá um colapso. O fato é que as empresas contratantes e também as fornecedoras de serviços têm que elaborar treinamentos complementares e até cursos de formação buscando suprir a carência.

Algumas iniciativas podem ser observadas, tais como a da Associação Brasileira de Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom), que busca articular no mercado a formação de jovens no formato aprendiz. Fornecedores estão começando a se mexer, como IBM, Microsoft, Oracle, mas tudo ainda com pouca penetração e pouca articulação. Caminhamos para uma situação de extrema criticidade.

CRA

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Nosso comportamento ambíguo diante de pesquisas

Em 2010 tivemos acesso a várias análises sobre a metodologia e a veracidade das pesquisas eleitorais que motivou até a elaboração do discutível Projeto de Lei 93/2010, que permite censurar as pesquisas e está em processo de aprovação no Senado. É possível que este debate realizado e a compreensão que a população demonstra ter absorvido sobre pesquisas eleitorais, explique a opinião reinante sobre a irrelevância para o eleitor de uma pesquisa encomendada por um partido eleitoral. Entende-se que ela sirva apenas para decisões estratégicas de campanha pois carregam consigo uma desconfiança geral sobre a independência de seu resultado. Importante ressaltar que essas pesquisas não são realizadas diretamente pelos partidos e sim por instituições especializadas, cuja idoneidade não será questionada aqui.

Saindo do período eleitoral continuamos diariamente sendo bombardeados com os resultados de inúmeras pesquisas. Ocorre que para estas pesquisas não reservamos o mesmo rigor analítico praticado no período eleitoral. Se observarmos o caso das pesquisas sobre crimes praticados com o uso do computador, um fato chamará logo a atenção: são quase todas realizadas por fornecedores de produtos que se habilitam a combater os crimes por elas ressaltados. Os números quase sempre são alarmantes e preocupantes sendo que, obviamente, essas empresas sempre têm produtos para melhorar e até resolver definitivamente o problema.

O tema preferido no momento por esses estudos são os crimes praticados nas Redes Sociais e, mais uma vez, temos aceito os números sem contestar. Usemos apenas um exemplo: a empresa Sophos divulgou recentemente que "Golpes via redes sociais cresceram 90% em 2010". Isoladamente parece assustador, porém, se comparado com o crescimento das redes sociais ele perde expressão, vejamos: o Foursquare cresceu 3400%, o Twitter passou a ter 100 milhões de novos usuários, estima-se que 20 milhões de aplicativos do Facebook foram instalados por dia em 2010 pelos seus 600 milhões usuários e muitos outros números impressionantes foram atingidos pela Internet no ano passado.

Não nego os riscos existentes nem o crescimento dos crimes virtuais, mas será que eles realmente cresceram tão assustadoramente se compararmos com a expansão deste mesmo mundo virtual em 2010? Seria pedir muito que a imprensa especializada questionasse mais as pesquisas apresentadas pelas empresas que vendem produtos de segurança? Melhor ainda, não deveríamos incentivar e divulgar mais as pesquisas realizadas por órgãos ou empresas independentes?

CRA

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